Para
construir, dois são precisos. Para destruir, basta um.
domingo, 28 de maio de 2017
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Jardim abandonado
Foram-se
as violetas.
Foi-se também a rosa.
Por último, foram-se ainda os crisântemos.
O jardim ficou deserto, devastado pela tempestade.
O vento semeou e a chuva, devagar, muito devagar, refrescou a terra.
O novo broto é ainda frágil, débil e disforme,
mas traz na seiva a esperança de que um dia
uma nova flor há de surgir
e o jardim será muito mais perfumado
que ao tempo das violetas, da rosa e dos crisântemos.
Foi-se também a rosa.
Por último, foram-se ainda os crisântemos.
O jardim ficou deserto, devastado pela tempestade.
O vento semeou e a chuva, devagar, muito devagar, refrescou a terra.
O novo broto é ainda frágil, débil e disforme,
mas traz na seiva a esperança de que um dia
uma nova flor há de surgir
e o jardim será muito mais perfumado
que ao tempo das violetas, da rosa e dos crisântemos.
Flavio
Quintale (25/05/2017)
quinta-feira, 2 de março de 2017
O discípulo e o mestre
“O valor. Dou um exemplo. Se cultura e conhecimento não são valores essências para ti, tu jamais admirarás uma pessoa com cultura e conhecimento. Sua companhia será algo insuportável. Evite problemas. Procure alguém com outros valores. Os mesmos que os teus. A chance de dar certo é maior. O amor a essa amizade tenderá sempre a crescer”.
“Por isso que há cães e gatos que não se
entendem e cães e gatos que se entendem”
“Exato. A amizade não consiste em ser cão ou
ser gato. Mas em compartilhar valores”.
“Não se podem confundir valores com
interesses?”
“Sim. Nesse caso não se trata de amizade”.
Por Flavio Quintale
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
A minha ideia de “Epidemia”

Epidemia
foi imaginada como um compêndio de suspense, mistério, tragédia, símbolos,
discussões teológicas, filosóficas, históricas, artísticas e escatológicas.
Brevidade, densidade, comicidade e enigma. Pode-se ler em uma sentada, se
quiser. Pode-se também se sentar longamente, parágrafo por parágrafo, palavra
por palavra, durante horas, dias, meses e anos. Epidemia dá liberdade completa
ao leitor de compreendê-la como quiser, em meia-hora ou em meia vida. Epidemia
convida todo mundo. Põe na roda a carola de igreja e o teólogo especialista no
Apocalipse; o fissurado em quadrinhos e o apreciador de Dostoievski; o curioso
do jornal de bairro e o leitor de Albert Camus; o aluno da escola técnica e o doutor
em filosofia; o biomédico e o amante de pintura renascentista; o ateu mais
convicto e o religioso mais supersticioso. Todo mundo poderá encontrar o seu
parágrafo e a sua palavra na história.
Agora
me despeço. Falar pouco é falar demais. Se eu encontrar alguns míseros leitores
nos próximos séculos, já me darei por satisfeito. Tomara, porém, que eles
apareçam antes, nas próximas décadas. Mas se não for possível, que surjam antes
do triunfo da epidemia devastadora.
por Flavio Quintale
Link para baixar "Epidemia":
domingo, 5 de junho de 2016
Bom pastor

do Livro dos Textículos, Flavio Quintale.
segunda-feira, 7 de março de 2016
A uma princesa distante

Voor de verre prinses
J.J. Slauerhoff
Wij
komen nooit meer saam:
De
wereld drong zich tusschenbeide.Soms staan wij beiden ’s nachts aan ’t raam,
Maar andre sterren zien we in andre tijden.
Uw land
is zoo ver van mijn land verwijderd:
Van
licht tot verste duisternis – dat ikOp vleuglen van verlangen rustloos reizend,
U zou begroeten met mijn stervenssnik.
Maar andre als het waar is
dat door groote droomen
Het zwaarst verlangen over
wordt gebracht
Tot op de verste ster: dan
zal ik komen,Dan zal ik komen, iedren nacht.
A uma princesa distante
Tradução de Mila Vidal Paletti
Jamais voltaremos a ver-nos,
Entre nós dois há um mundo pelo meio.
Por vezes, de noite, à janela nos detemos
Mas são outras as estrelas que vemos...
Doutros tempos o enleio.
É tão longínquo o vosso país do meu:
Como a luz da mais funda escuridão - tão distante -
Que viajando sem parar nas asas do desejo, eu
Vos saudaria num suspiro agonizante.
Porém, se for verdade,
Que sonhando o impossível,
Se leva o maior dos anseios
À estrela mais intangível:
Então eu voltarei,
Voltarei todas as noites...
(De saudade).
Entre nós dois há um mundo pelo meio.
Por vezes, de noite, à janela nos detemos
Mas são outras as estrelas que vemos...
Doutros tempos o enleio.
É tão longínquo o vosso país do meu:
Como a luz da mais funda escuridão - tão distante -
Que viajando sem parar nas asas do desejo, eu
Vos saudaria num suspiro agonizante.
Porém, se for verdade,
Que sonhando o impossível,
Se leva o maior dos anseios
À estrela mais intangível:
Então eu voltarei,
Voltarei todas as noites...
(De saudade).
Música: Custódio Valente. Voz: Cristina Branco.
terça-feira, 1 de março de 2016
Inspirado em Slauerhoff
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